Editorial: Por que um sistema que gera tanto sofrimento e injustiça ?

Antes de felicitar a todos trabalhadores e trabalhadoras Eletricitários neste momento de festas, me vejo na obrigação expressar a minha dor a revolta as atitudes de pessoas que trabalham com pessoas que talvez não gostem de pessoas.

E fui buscar no livro "A Banalização da injustiça Social", da autoria de Christophe Dejours, publicado no ano de 2000.

Dejours tenta dar uma resposta a questão que muitos fazemos: "Por que a maioria das pessoas tolera um sistema que gera tanto sofrimento e injustiça ? Por que, sendo vítimas, não apenas toleram, como ainda contribuem ativamente para o sistema opressivo que dizem repudiar ? Por que não se solidarizam e até mesmo infligem sofrimentos aos outros ? Por que está ocorrendo esse processo de banalização do mal, no qual as pessoas não mais se importam, não se mobilizam?“.

Isso me  intrigou muito, principalmente no que se refere ao meu próprio comportamento. E tem também faz lembrar da crise ambiental e a emblemática do nazismo na qual atrocidades contaram com uma colaboração ativa da população (Neste caso alguns “Lideres” ou “Chefes”),  será que estou sendo muito agressivo ou realista?

As análises às graves questões econômicas que afetam direta ou indiretamente o mundo do trabalho. Apesar de o contexto enfocado referir-se à França, muitos pontos relacionados às sociedades, em particular para o Brasil.

Dejours tece críticas à perspectiva de que os indivíduos somente sobreviverão no mercado se superarem a si próprios, tornando-se cada vez mais competitivos e eficientes que os colegas, pares, ou concorrentes, primando pelo individualismo.

Aponta que essa contradição presente nos cenários do trabalho precisa ser enfrentada, pois, do contrário, estar-se-á passando por cima de alguns dos princípios que, muitas vezes, se considera importantes, mas que se passa a relegar, devido à necessidade de manter os empregos e, por consequência, a sobrevivência e, contribuindo também para o agravamento de problemas laborais, principalmente no que se refere ao sofrimento no cotidiano do trabalho.

Agora venho desejar a todos os companheiros e companheiras Eletricitários (as) um Feliz 2016, sendo agora um momento para refletirmos sobre tudo aquilo que vivemos no transcorrer deste ano de dois mil e quinze. 

Termino com a canção de Nelson Caquinho – Juízo Final, os quatros primeiros versos todos os dias deveríamos cantar:  O sol.... Há de brilhar mais uma vez, a luz. Há de chegar aos corações. Do mal.... Será queimada a semente. O amor... Será eterno novamente.

Otacilio De Souza Junior

Presidente

 

Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015
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